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Tratamento nutricional da tensão pré-menstrual (tpm)

Atualidades
Estima-se que 85 a 90% das mulheres tenham sintomas afetivos ou físicos antes da menstruação. Embora os sintomas sejam brandos para a maioria das mulheres, 8 a 20% possuem sintomas caracterizados como a síndrome da tensão pré-menstrual (TPM), uma desordem caracterizada por sintomas moderados a graves que interferem substancialmente com as atividades da vida normal e relacionamentos interpessoais.

Os sintomas se limitam à fase lútea (pós ovulação) do ciclo menstrual e diminuem logo após o início da menstruação, incluem depressão, irritabilidade, fadiga, cólicas abdominais, dor mamária, aumento do apetite e dor de cabeça. As causas são desconhecidas, mas a condição é percebida como uma resposta às alterações hormonais que ocorrem no final do ciclo menstrual.

Dentre a conduta terapêutica para TPM, citam-se modificações no estilo de vida, incluindo a prática de exercícios aeróbicos. Sabe-se que na fase lútea do ciclo menstrual ocorre redução dos níveis de endorfina e o exercício aeróbico regular, 20 a 30 minutos 3 vezes na semana, leva à liberação de endorfina pelo sistema nervoso central, melhorando o humor dessas mulheres.

Modificações dietéticas e nutricionais também têm sido utilizadas no tratamento da TPM. Estudos comprovam que a suplementação de cálcio é eficaz na redução e gravidade dos sintomas, mas não se sabe se esse nutriente pode prevenir a TPM. Mulheres com maior ingestão de cálcio na alimentação têm menos TPM em comparação às mulheres com menor consumo. O mesmo é verdadeiro para o consumo de vitamina D, na qual ingestão elevada pelas mulheres às levam a um risco significativamente menor para TPM. Esses aportes correspondem a cerca de 1200 mg de cálcio e 400 UI de vitamina D a partir das fontes alimentares, o equivalente a 4 porções diárias de leite desnatado ou derivados de leite com baixo teor de gordura.

Cálcio e vitamina D podem influenciar no desenvolvimento da TPM através da sua relação com o estrógeno. Os níveis de cálcio e da vitamina D variam ao longo do ciclo menstrual em resposta às mudanças nos níveis de estradiol na ovulação e durante a fase lútea. Os estudos sugerem que a redução desses nutrientes na fase lútea levam aos sintomas da TPM e a ingestão desses nutrientes pode impedir diretamente os sintomas da TPM.

Outros estudos têm sugerido que o excesso de álcool, sal e cafeína podem piorar os sintomas porque estas substâncias diminuem os níveis de magnésio no corpo. O magnésio reduz significativamente os sintomas de retenção de líquidos, sensibilidade mamária, inchaço das extremidades e distensão abdominal, daí a importância fundamental desse nutriente na alimentação das mulheres. Além disso, o magnésio está envolvido com a síntese de serotonina, por isso, os alimentos ricos nesse mineral também melhoram os sintomas relacionados ao humor.

Fontes de magnésio incluem vegetais de folhas verdes escuras, leguminosas, oleaginosas e cereais integrais.

Outro nutriente de relevância é a vitamina B6, pois participa do metabolismo dos neurotransmissores serotonina e GABA, ambos envolvidos na depressão, dor e ansiedade. A suplementação com altas doses pode trazer sérios efeitos colaterais, por tanto, indica-se uma alimentação rica nesse nutriente, incluindo carnes, batata, levedo de cerveja, banana, cereais integrais e melão.

Algumas mulheres aumentam o consumo de carboidratos sendo um traço característico da TPM. Há a hipótese de que essa mudança seria devido a uma redução de serotonina na fase lútea, podendo levar além da compulsão por doces, à depressão e à insônia. Alimentos ricos em triptofano e vitamina B6 são essenciais nessa fase porque aumentam o nível de serotonina cerebral. É recomendado o consumo de leite e derivados sem gordura, carnes magras, peixes, banana, abacate, tâmara, oleaginosas e leguminosas em refeições pequenas, várias vezes ao dia, com carboidratos integrais, para melhorar os sintomas de tensão e depressão.

A suplementação de nutrientes pode ser benéfica na redução dos sintomas da TPM, especialmente nos casos em que os sintomas não são graves o suficiente para justificar a terapia com medicamentos.

Entretanto, uma alimentação balanceada, com todos esses nutrientes é essencial para se evitar distúrbios e doenças e manter o equilíbrio corporal.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Nutricionista Mariana Herzog Ramos
Graduada pela Universidade Federal de Viçosa-MG (UFV)
Docente de curso superior em Nutrição
Esp. Nutrição Clínica Funcional, Universidade Cruzeiro Sul São Paulo/CVPE
Ms. Ciências Fisiológicas, Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)




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